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Febre amarela – um risco ainda maior para gestantes e crianças.

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Recentemente, a mídia divulgou a ocorrência de novos casos de febre amarela no Brasil, o que tem reforçado a preocupação das famílias em vacinar as crianças contra o vírus causador da doença.

A divulgação desses novos casos pode inclusive gerar uma busca desnecessária da imunização, o que por consequência, acarreta na falta da vacina para as pessoas que realmente precisam delas. Esse é o caso das que irão viajar para as regiões onde possivelmente terão contato com o agente causador. Portanto, antes de se apavorar com as notícias que vêm sendo divulgadas, informe-se. E, somente após ter a certeza de que sua família necessita da imunização, busque a vacina.

Partindo dessa premissa, vamos aprender um pouco mais sobre a doença e entender quais são as situações que exigem a imunização.

Como a doença é transmitida?

A febre amarela é transmitida pela picada de mosquitos contaminados com o vírus causador da doença. Na zona rural ele é o Haemagogus, enquanto na zona urbana o Aedes aegypti (nosso velho conhecido) se encarrega da transmissão. Na verdade, a contaminação pelo Aedes aegypti é dita secundária porque ela só ocorre quando uma pessoa contaminada se desloca da zona rural para a urbana, vindo a ser picada pelo Aedes aegypit. Essas são as duas hipóteses de transmissão denominadas de febre amarela rural e urbana, respectivamente.

Por isso, prevalentemente, a zona rural ou de mata é a que apresenta o maior número de casos. É nela que se encontra o habitat natural dos animais que hospedam o vírus, os macacos silvestres. E por isso, é tão importante a imunização de todas as pessoas que se desloquem das áreas urbanas para essas localidades e das que nela vivem.

Qual é a situação atual da doença no Brasil?

Desde o início de janeiro, foram contabilizados 23 casos suspeitos no interior de Minas Gerais. Desses, 14 levaram os pacientes à óbito. No interior de São Paulo, uma morte por febre amarela silvestre foi confirmada ainda em dezembro de 2016 – a primeira que se tem notícia desde 2009. Recentemente, outros casos foram indicados nos estados de Espírito Santo e Bahia.

Quais são os principais sintomas?

Inicialmente, é preciso saber que o período de incubação* da doença é de aproximadamente 15 dias. O que significa que somente após esse período, as pessoas contaminadas poderão apresentar algum sintoma.

Em geral, os indivíduos contaminados apresentam sintomas muito discretos, sem manifestações clínicas aparente, o que, certamente, dificulta o diagnóstico. Quando perceptíveis, os sintomas se apresentam como mal-estar, febre, calafrios, dor de cabeça e nas costas, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Nos caso mais graves, há também sangramento nasal e nas gengivas, sinais de esquimoses (manchas pelo corpo que parecem hematomas) e icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos). Inclusive, este último sintoma deu origem ao nome da doença.

Por que os riscos são maiores para crianças e gestantes?

Tanto crianças quanto mulheres grávidas estão expostas ao maior risco de contaminação e desenvolvimento da doença por questões de ineficiência do sistema imunológico. No caso das gestantes, ele se mostra com sua capacidade de proteção afetada e nas crianças ele ainda não se desenvolveu por completo. Nas gestantes, a situação se mostra ainda mais grave, já que há risco de contaminação do feto.

Portanto, em relação a essas pessoas, há maior preocupação com a imunização. No caso das crianças, o calendário de vacinação nacional indica que ela possa ocorrer a partir dos 9 meses de idade, com um reforço aos 4 anos. Mas, se a criança viver em área de risco, a imunização pode ocorrer aos 6 meses.

Quanto às gestantes, a situação deve ser indicada pelo médico que acompanha a gravidez. Isso porque, a imunização de mulher grávida expõe o feto a risco. Caso ela precise viajar para uma região em que há maior perigo de exposição ao vírus, o médico deverá avaliar o risco benefício dessa imunização.

Quem deverá tomar a vacina?

Todas as pessoas, adultas ou crianças, que morem ou pretendam viajar para regiões rurais, de mata, silvestre ou para áreas em que seja recomendada a imunização contra a febre amarela pelo Ministério da Saúde.

No caso de mulheres que estejam amamentando, a recomendação do governo federal é que elas não tomem a vacina até a criança completar 6 meses de idade, porque há risco de contaminação do bebê, já que ela é preparada com vírus vivos atenuados. Se a imunização for realmente necessária, a criança deverá ser alimentada com leite extraído anteriormente à vacinação, por um período de 14 dias. Como se trata de muito leite, talvez a mãe precise do suporte de um banco de leite ou fazer uso de leite artificial nesses dia.

A vacinação também é necessária para as pessoas que pretendem viajar para algum dos países que exigem o comprovante da imunização contra febre amarela. A lista completa você pode conferir no site da Organização Mundial de Saúde, atualizada em 2016.

Para maiores informações sobre os documentos necessários para a comprovação da imunização contra a febre amarela no exterior, acesse a página do Escolha Viajar.

Qual a segurança que se pode esperar da vacina?

A vacina deve assegurar 100% de imunização após o 10º dia de aplicação. O prazo de validade da proteção é de 10 anos. Após esse período, é necessária uma segunda dose, caso a pessoa imunizada pretenda viajar para zonas de risco ou países que exigem o comprovante atualizado.

Na verdade, a OMS, considera que apenas uma dose é suficiente para garantir uma imunização para toda a vida. A exigência da reaplicação se dá em razão da possibilidade de haver uma queda na imunidade do indivíduo com o tempo. Trata-se de medida de segurança.

Onde encontrar a vacina?

A vacina deve está disponível em toda a rede pública de saúde e em algumas clínicas particulares. Aqui em Natal, foi mais fácil encontrar na rede pública, já que a privada estava desabastecida em razão do aumento de casos nas regiões citadas. Mesmo assim, não estava disponível em todos os postos de saúde. Apenas algumas regiões da cidade têm postos abastecidos com a vacina. Segundo a administração municipal, as unidades de referência para a vacinação são as informadas na imagem.

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Com é o tratamento da doença?

O tratamento é apenas sintomático, pois não existe medicamento para combater a febre amarela. O paciente diagnosticado com a doença deverá receber atendimento médico, com provável necessidade de permanecer hospitalizado. Nesse período, recomenda-se repouso e a reposição de líquidos (água e sangue), quando for necessário.

Maiores informações sobre a febre amarela, assim como sua imunização, vocês encontram acessando o Portal do Ministério da Saúde. De toda forma, espero que esse poste tenha sido útil para sanar algumas dúvidas sobre a doença e principalmente, para orienta-los sobre a real necessidade de imunização apenas nas hipóteses indicadas. Então, não há porque ter pânico e correr para vacinar a criança se sua família não se enquadra em nenhuma dessas hipóteses.

PS: Se você está se perguntando porque eu fui atrás da vacina, já que não moro em nenhuma das regiões afetadas, eu respondo: é que estamos prestes a iniciar uma aventura por alguns países da Ásia, que exigem a imunização contra febre amarela, e a nossa pequena ainda não era imunizada. Isso significa que eu terei muitos aventuras de viagem para dividir com vocês nos próximos meses. É só me acompanhar aqui no blog!

*Período de incubação é o tempo decorrido entre a exposição de um animal a um organismo patogênico e a manifestação dos primeiros sintomas da doença. Neste período não há doença e o hospedeiro não manifesta sintomas, pois todo o processo está acontecendo no âmbito celular.

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