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Engasgo infantil – alimentos potencialmente perigosos

crianca-pipoca

Passada a euforia do carnaval, o ano realmente começa e eu gostaria de inciá-lo tratando de um tema sério que não pode ser deixado de lado. Estou me referindo aos engasgos em crianças.

Recentemente, um relato emocionante de uma mãe sobre o engasgo da sua filha com amendoim viralizou na internet (veja aqui!), o que me fez acender uma enorme luz de alerta sobre o assunto.

Sempre fui muito cautelosa com alimentos potencialmente perigosos (até onde eu os conhecia), tanto que segui a recomendação pediátrica à risca, permitindo que minha filha só tivesse acesso à pipoca após completar dois anos. Acontece que, após um estudo mais recente e em razão do elevado número de casos de engasgos e óbitos em decorrência deles, a própria Academia Americana de Pediatria – AAP (sigla em inglês), apesar de não estabelecer uma idade limite, recomenda que alguns alimentos não sejam fornecidos a crianças antes dos 4 ou 5 anos de idade. Entre eles está a pipoca.

Fiquei chocada com a informação e especialmente preocupada com o risco a que minha filha e tantas outras crianças vêm se submetendo sem que, nós pais, tenhamos a menor noção desse perigo. É fato que a maioria dos pais mostra preocupação com o risco de seu filho engolir algum objeto pequeno, como botões, pedaços soltos de brinquedos e até presilhas de cabelo, mas não temos tanta preocupação assim no que diz respeito aos alimentos. Não somos capazes de imaginar que um alimento saudável e, muitas vezes, recomendado pelo pediatra pode representar um perigo grave para a saúde dos nossos filhos.

É esse panorama que, muitas vezes, se revela numa situação dramática, como a relatada pela mãe que dividiu sua dor nas redes sociais. Diante dessa realidade, me dediquei à pesquisa e pude perceber que se trata de um perigo real, que nada tem a ver com excesso de cuidados, como muitos podem pensar. Para compreenderem melhor, acompanhem o post até o fim.

Por que as crianças engasgam mais?

Ainda em 2010, a Veja republicou uma matéria do The New York Times que demonstrou que em 2001, cerca de 17500 crianças menores de 14 anos foram tratadas em pronto-socorros por asfixia e 60% dos casos foram causados por alimentos. Já no ano de 2000, 160 crianças morreram por obstrução do trato intestinal nos EUA.

No Brasil, uma pesquisa do Datasus, realizada em 2014, registrou 108 casos de inalação ou ingestão de alimentos, sendo que 74% deles aconteceram com menores de 4 anos. Destes, metade aconteceu com crianças menores de 1 ano.

As crianças menores de 4 anos são as que estão mais expostas aos riscos de engasgos porque suas vias aéreas são estreitas e pequenas (a parte de trás da gargante de uma criança com essa idade tem o diâmetro de um canudo), mas não só por isso. Nessa fase, as crianças estão desenvolvendo a habilidade de comer, o que inclui o mastigar bem e o engolir.

Os dentes responsáveis por esmagar os alimentos mais duros são os primeiros e segundos molares. Aqueles não aparecem, em regra, antes dos 15 meses e estes só chegam ao redor do 26º mês. O que significa que crianças até os dois anos de idade ainda não desenvolveram completamente a mastigação e acabam utilizando apenas a gengiva. Por essa razão, alimentos muito duros, como castanhas, que se quebram em muitas partes ao serem mordidos, devem ser evitados, assim como aqueles que podem ser aspirados inteiros, como feijão, milho, amendoim e pipoca.

Na verdade, o controle absoluto do processo de mastigação e deglutição não se completa até os 4 ou 5 anos de idade, razão pela qual, nesse período, a criança ingere muitos alimentos em pedaços de tamanho que oferece grande risco de engasgo, e qualquer distração, risada, brincadeira ou susto pode precipitar o acidente.

Além do diâmetro da garganta e da imaturidade dos sistemas mastigatório e de deglutição, deve-se considerar que a força do ar gerado pela tosse de uma criança é menor do que a força exercida por um adulto, fazendo com que esse reflexo seja menos eficaz para desalojar uma obstrução parcial das vias aéreas.

O risco também se acentua quando as crianças deixam de ter restrições alimentares, o que ocorre entre o primeiro e o segundo ano, já que a maioria dos pediatras, equivocadamente, informa aos pais que a criança pode comer de tudo, sem dá qualquer orientação sobre o tamanho das porções, como o alimento deverá ser cortado e quais alimentos devem esperar um pouco mais para serem oferecidos a criança. A verdade é que ouvir isso do pediatra é, para os pais, libertador. A ideia de que a criança não mais apresenta qualquer restrição alimentar agrada porque nos polpa de trabalho, facilita nosso dia-a-dia. Mas, por trás dessa libertação, se enconde um perigo que muitos desconhecem.

Então, para que não reste dúvida sobre que alimentos podemos oferecer com segurança aos nossos filhos, selecionei um lista com aqueles ditos perigosos, ou, pelo menos, que mereçam maior preocupação, especialmente no que diz respeito à forma como são oferecidos à criança.

Alimentos potencialmente perigosos

  • Salsichas;
  • Balas e pastilhas duras, principalmente as de formado aredondado;
  • Sementes como castanhas, amendoins e nozes;
  • Frutinhas pequenas como uva, cereja, mirtilo e tomate;
  • Pedaços de frutas e vegetais crús, como cenoura e maçã;
  • Pipocas, chips, salgadinhos e todos os petiscos pequenos que se come com a mão;
  • Marshmallow, caramelo e balas gelatinosas;
  • Alimentos de consistência pegajosa como geleia de amendoim e brigadeiro;
  • Chicletes;
  • Pirulitos;
  • Frutas desidratadas;
  • Cubos de gelo ou em formato esférico;
  • Cubos de queijo e presunto.

Sinais de engasgo

Quando o engasgo é parcial – ainda está passando um pouco de ar, mas não a quantidade ideal – a criança pode apresentar tosse, rouquidão, chiado no peito e falta de ar súbita.

Se o engasgo for total – quando as vias respiratórias estão completamente obstruídas – a criança não consegue falar, nem tossir e vai começar a ficar com lábios arroxeados. Nessa hora, por mais desesperador que seja o quadro, é preciso manter a calma e ajudar a criança a desengasgar.

O que fazer se a criança engasgar?

Se o engasgo for parcial, o melhor é buscar atendimento médico em curto tempo. Por outro lado, quando se trata de engasgo total, não há tempo para esperar o socorro, razão pela qual é vital a realização de uma manobra específica para promover o desengasgo. A mais conhecida é a manobra de Heimlich, que é executada em posições diferentes a depender da idade da criança.

Com crianças menores de 1 anos:

manobra

Com crianças maiores e adultos

engasgo

Como prevenir os engasgos?

  1. A criança deve se alimentar sentada. É muito comum os pais permitirem que as crianças se alimentem deitas no sofá diante da tv. Essa conduta é perigosa, tanto quanto deixar que a criança ingira alimentos enquanto brinca, corre, caminha ou pula;
  2. Não alimente a criança enquanto estiver no interior de um carro em movimento;
  3. Não force para que a criança aceite o alimento. Correr atrás de uma criança com uma colher, forçando-a a abrir a boca para aceitar o alimento é extremamente perigoso;
  4. Esteja sempre vigilante enquanto seus filhos comem, especialmente se estiverem dividindo a mesa crianças de diferentes idades. Os menores podem pegar algum alimento inadequado do prato dos maiores.
  5. Desde cedo, ensine a criança a mastigar bem, fechar a boca enquanto come e se manter calado enquanto estiver com o alimento na boca;
  6. Evite brincadeiras de movimentos logo após a refeição. Em relação aos bebês, recomenda-se mantê-los numa inclinação de 30º para evitar refluxo;
  7. Corte os alimentos em tamanhos bem pequenos. A dica serve para as carnes, frutas secas, salsichas, tomatinhos e uvas. Esses últimos devem ser cortados em 4 pedaços e não somente ao meio, como se costuma recomendar. As salsichas, especialmente, devem ser cortadas em formato longitudinal e depois em pedaços pequenos e irregulares, mas nunca em formado de moeda;
  8. Não ofereça balas, especialmente aquelas em formato arredondado, azeitonas ou pipoca antes da criança completar 4 ou 5 anos (orientação mais recente da AAP).
  9. As oleaginosas como castanhas, amêndoas, amendoins, entre outras, devem ser trituradas ou quebradas em pedaços bem menores;
  10. Em relação aos líquidos, verifique o bico da mamadeira para saber se o fluxo liberado é adequado à capacidade de deglutição da criança. Caso esteja muito aberto, liberando líquido em excesso, troque o bico por outro de fluxo mais lento;
  11. Legumes devem ser servidos, preferencialmente, cozidos. Caso sejam ofertados crús, corte-os em pedaços pequenos ou, em formato de talo;
  12. Alimentos pegajosos, como cream-cheese e pasta de amendoim, devem ser passados em alguma superfície como as de biscoitos ou torradas.

Depois de ler a matéria você deve estar se questionando se continua ou não ofertando muitos desses alimentos ao seu filho, principalmente se a criança já estiver habituada a alguns deles. Eu também me fiz essa pergunta e decidi que a pipoca e as oleaginosas, especialmente, deverão esperar um pouco mais para fazer parte do cardápio da Marina. Por tudo o que li e vi, não me sinto segura em oferta-los nesse momento. Em relação aos demais alimentos, muitos deles Marina ainda não experimentou,  como é o caso das balas, pirulitos, salsicha e chiclete e assim pretendo manter até que ela queira experimenta-los por conta próprio, quando eu já não tiver mais controle sobre o fator influência externa.

Acontece que, como tudo o que diz respeito à educação e cuidados dos nossos filhos, essa é uma questão pessoal, que deve ser decidida pela família individualmente, de acordo com suas necessidades, sentimento de segurança, costumes e hábitos. O objetivo desse post, assim como o de todos os outros publicado aqui no blog, é unicamente o compartilhamento de informações atualizadas que possam auxiliar as famílias nas suas decisões de forma consciente. Jamais pretendemos dizer o que é certo ou errado, pois acreditamos que os pais sempre buscam o melhor para seus filhos.

Até o próximo encontro!

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