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Sobre viajar com crianças!

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Já é quase meio do ano, época de férias escolares e muitas famílias costumam programar viagens. Então, é o momento certo para dividir com vocês um pouco da minha experiência de viagens com criança. Um assunto que costuma deixar as famílias ansiosas e com muitas dúvidas.

Realmente, não é uma tarefa fácil realizar uma viagem com crianças. Também não se trata de missão impossível. Você só precisa de um pouco mais de planejamento e uma dose extra de paciência.

Viajar é uma maravilha, não é mesmo? Quem não gosta? Eu e meu marido adoramos. É bem verdade que com a chegada de Marina, tivemos que repensar nosso estilo, fazer algumas adequações e esperar um pouco. Mas, em nenhum momento, cogitamos mudar nosso ideal de conhecer o mundo. Já estava decidido: se o papai e a mamãe são viajantes, Marina também será.

Entendo que muitos pais tenham receio de enfrentar um avião por horas, ou estradas desconfortáveis com seus pequenos. Há ainda o temor quanto à alteração da rotina, possíveis problemas de saúde, cansaço, adaptação à comida do lugar e bagagem. Mas eu afirmo que tudo isso pode ser tirado de letra com um bom planejamento.

É bem verdade que antes de começar a organizar e planejar, o casal terá que refletir sobre o estilo de viagem que pretendem fazer. Digo isso, porque sempre realizamos viagens longas, com muitos trechos de avião, conexões demoradas, malas imensas e nos permitíamos cair na noite sem moderação. Com a chegada de Marina, esse estilo de viagem teve que ser revisto, pelo menos em alguns aspectos e enquanto ela ainda era um bebê. Os nossos interesses também mudaram e passaram a ser os que atendiam às necessidades da pequena.

Depois de ponderar essa questão, é hora de começar o planejamento. Para facilitar, separei algumas dicas importantes para que sua viagem em família seja só alegria. 

Documentos

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Para viagens dentro do território nacional, os responsáveis deverão portar a certidão de nascimento, identidade ou passaporte válido da criança (original ou cópia autenticada). Para viagens internacionais, é exigido o passaporte válido ou a identidade, ambos em formato original. Esta, será aceita apenas se o país do embarque fizer parte do Mercosul. Para os demais, somente o passaporte é documento válido.

Para crianças viajando somente com o pai ou com a mãe, o outro deverá autorizar por escrito, com firma reconhecida em cartório. A regra vale mesmo se os pais estiverem indo para o mesmo destino, mas em voos diferentes. Caso uma das partes não possa ou queira dar a autorização, é preciso requerê-la judicialmente.

Outros dois documentos merecem um lugar especial na mala. São eles: caderneta de vacinação e cartão do SUS/plano de saúde.

Mala

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A arrumação das malas é a parte da preparação da viagem que costuma deixar as famílias com mais dúvidas. As principais são “o que levar?” e “quanto levar de cada item?”

Quem tem crianças pequenas sabe que, em regra, já temos o costume de levar uma bolsa bem recheada de itens considerados essenciais. Imagina como a coisa se complica quando se trata de uma viagem! Não queremos passar aperto, deixando de levar itens importantes, mas também não podemos nos permitir pecar pelo excesso, porque, neste caso, o excesso pesa e custa caro.

Assim, praticidade e bom senso são indispensáveis para que se tenha sucesso nesse ponto da organização. Estou dizendo isso porque nunca haverá uma lista mágica com os itens que você deverá levar para sua viagem. Nessa hora, o que mais vale é sua experiência. O segredo é focar na rotina e necessidades do bebê e se informar sobre o local que a família irá visitar.

Portanto, antes de tudo, pesquise sobre o tempo e o clima da região, no período do ano que irão fazer a viagem e se é fácil comprar algum dos produto que o bebê está habituado a usar no local que irão visitar. As fraldas, por exemplo, tomam muito espaço na mala, mas, a depender da marca e tamanho que o bebê use, não será fácil encontra-las em qualquer lugar.

Depois disso, é só elaborar uma lista básica para não se esquecer de nada. Aliás, essa é a única maneira de lembrarmos de tantos detalhes.

Sobre as quantidades, é impossível indicar com exatidão quanto se vai usar de cada item. O que eu faço é uma média, já que conhecendo bem as necessidades e rotina da minha pequena. As quantidades de roupas, calçados e demais itens, irão depender da duração da viagem, lembrando que criança sempre suja mais roupa que adultos.

É como eu disse, lá no início, experiência e bom senso são fundamentais!

Saúde

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Que tal visitar o pediatra antes da viagem para fazer um exame clínico e conversar sobre os cuidados que deverá tomar?

O pediatra também poderá lhe informar a respeito da necessidade de imunizar a criança com alguma vacina recomendada para a localidade a que se pretende visitar – ou mesmo sobre os medicamentos que você deverá levar na bagagem.

No mínimo, é recomendável levar antialérgico, medicação para enjoou, antitérmico, analgésico, termômetro, anti-inflamatório, medicação para nebulização e xarope para tosse. Dependo da localidade, haverá a possibilidade de comprar o medicamento lá, mas não se esqueça de que alguns deles exigem prescrição médica e se a viagem for para o exterior, essa prescrição deverá ser na língua local e assinada por médico nacional. Portanto, a ideia da farmacinha é sempre mais segura.

Um bom seguro de viagens é fundamental para que o passeio seja ainda mais tranquilo. No caso de viagens dentro do Brasil, o ideal é verificar a cobertura do plano de saúde da família. Alguns deles limitam o atendimento por região, mesmo quando têm abrangência nacional. No caso de viagens internacionais, o seguro é obrigatório em muitos países. Mas, mesmo quando não é, aconselha-se que a família adquira um seguro de viagens internacional com uma boa cobertura. Afinal de contas, se viajar com a família já representa despesas elevadas, imagina ter que custear tratamento médico fora do Brasil. Você não vai querer ariscar, não é mesmo?

Alimentação

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A questão da alimentação é realmente um desafio, especialmente, quando a criança já está maiorzinha, com um paladar seletivo e resolve passar dias rejeitando a comida local.

Para facilitar, precisamos compreender o momento sob a ótica da criança. Antes de tudo devemos considerar que elas, diferentemente dos adultos, não têm interesse por novidades gastronômicas. Enquanto ficamos entusiasmados com uma nova experiência, as crianças querem mesmo o que já conhecem, os sabores do dia a dia com os quais estão familiarizada. Se considerarmos esse ponto, evitaremos momentos de estresse ao tentar, inutilmente, fazer a criança comer.

Foi sob essa perspectiva, que aceitei o fato de minha filha comer apenas a batata frita que acompanhava o suculento bife de chorizo portenho, assim como quando trocou um delicioso peixe do Pacífico por sua mamadeira de leite. Não posso negar que esses momentos me deixaram aflita e preocupada, mas garanto que agir dessa forma me poupou de uma situação ainda mais difícil. Afinal, quem de nós consegue fazer o filho comer algo de que não gosta?

Moral da história, devemos compreender e respeitar sempre que a criança rejeitar o alimento, ao envés de forçá-la a comer. Por outro lado, é fundamental buscar pratos semelhantes aos que estão costumados e, nos momentos de negação total, ter em mãos uma segunda opção. Nem que seja, um pacote de biscoito integral.

Também é preciso entender que a criança não ficará doente só porque deixou de fazer uma refeição ou outra. Lembre-se de que aquela situação é passageira e logo, logo tudo volta à normalidade. Assim, a família relaxa e curte a viagem sem estresse.

Quando a criança ainda é um bebê, dá pra se virar bem com o seio, se ela ainda mamar – o que é uma maravilha, já que as mamadeiras exigem trabalho com transporte e higienização. Se o bebê não mama mais no seio, não tem outra saída, a mamadeira é inevitável, ou, pelo menos, um copo com bico anti-vazamento.

Em regra, as companhias aéreas permitem que se leve na bagagem de mão tanto o leite em pó quanto as papinhas, assim como biscoitos e outros alimentos para consumo durante o voo. Já cheguei a levar frutas – uma ou duas bananas, mas isso, em voo nacional.

Apesar das companhias aéreas concederem certa liberdade para o transporte de alimentos quando se viaja com crianças, é importante considerar as restrições do local que se pretende visitar, especialmente quando se trata de outro país. Não há qualquer restrição de se levar uma ou duas latas de leite em pó na bagagem despachada quando se viaja para o Chile ou a Argentina, por exemplo. Mas, outros países podem adotar regras mais limitativas. É preciso se informar antes.

Uma outra opção para as crianças que já saíram do aleitamento materno exclusivo, é levar papinhas prontas, sejam elas industrializadas (vou deixar a discussão sobre a qualidade alimentar delas para outro post) ou feitas em casa.

Sempre priorizei as papinhas que eu mesma fazia em casa. Então, quando íamos viajar, tinha toda a quela preparação prévia para organizar os variados potinhos das refeições. Confesso que era uma trabalheira, mas me deixava mais tranquila. Acontece que isso só era possível em viagens de carro, porque eu levava as papinha congeladas. Quando começamos a viajar de avião, Marina estava com 1 ano e meio e já não tinha tantas restrições alimentares. Ainda assim, na nossa primeira viagem, optamos por ficar hospedados em um apartamento com cozinha, onde podíamos preparar alguma comidinha mais saudável, pelo menos para o café da manhã e o jantar.

Hoje, que Marina tem quase 3 anos, adoto a estratégia de fazê-la comer bem no café da manhã (leite, ovos, suco, pão, iogurte, queijo, etc…). Ela costuma ter um excelente apetite nesse horário e geralmente não temos dificuldade com essa refeição.

Também costumo pegar alguma coisa do buffet do hotel para levar comigo ao longo do dia, assim os dois lanches estão garantidos com comidas saudáveis e conhecidas do seu paladar. Em regra, pego uma fruta, alguns cookies e um iogurte. Este, damos a ela logo no lanche da manhã para não ficar muitas horas fora da geladeira.

Com essa estratégia, tenho a sensação de ter feito o meu melhor e isso me deixa mais tranquila, já que nunca se sabe como serão o almoço e o jantar.

Por fim, devo dizer que os horários das refeições também não precisam seguir a risca o que mantemos como rotina no dia a dia da criança em casa. As vezes, fica difícil manter essa regra e insistir nela pode gerar ainda mais estresse, além de não surtir qualquer efeito prático.

Rotina

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Se você é uma daquelas mães que não se permite descuidar da rotina nem por um dia, esqueça a ideia de viajar com crianças. Isso lhe causará um estresse enorme, já que, inevitavelmente, elas saem da rotina quando estão fora de casa. Mas se você relaxar, se permitir fugir da regra por alguns dias, tudo ficará mais leve e a viagem, certamente, será mais prazerosa para toda a família.

Não estou aqui propondo que você deixe de lado todas as práticas que tanto lutou para fixar na rotina do seu filho. O segredo para o momento da viagem é flexibilizar. Aqui, cabe o mesmo que falei em relação alimentação. Não será por alguns dias fora da rotina que tudo o que você adquiriu estará perdido. É bem verdade que ao voltar pra casa, enfrentaremos um pouco de resistência para as coisas voltarem à ordem, mas nada que o tempo e nossa insistência não resolvam (esse é o típico caso da criança que passa toda a viagem dividindo a cama com os pais. Marina que o diga rsrsrs…).

Além da alimentação, que tratamos no item anterior, o sono é um outro ponto da rotina mais afetado em viagens. Se até nós adultos enfrentamos alterações de sono quando viajamos, imagina uma criança.

Para essa questão tenho três dicas bem simples:

1) Deixe a criança dormir sempre que sentir vontade (isso vale para os cochilos diários), mas tente fazê-la acompanhar os horários dos pais no que diz respeito ao sono da noite. Com essa estratégia, você se polpa de uma criança cansada e extremamente aborrecida ao longo do dia e se permite desfrutar de toda a programação planejada.

2) Tenha um bom carrinho de bebê à disposição da criança. Sou totalmente adepta do uso do carrinho mesmo depois que as crianças aprenderam a andar. Eles aliviam o cansaço delas e principalmente dos pais. Sem contar que é muito mais confortável dormir num carrinho do que nos braços.

3) Programe aquele passeio que não interessa à criança no horário da soneca (museus caem muito bem na soneca pós-almoço de Marina). Já os passeios de interesse da criança devem ficar para o horário em que ela costuma estar mais ativa. Mesmo assim, não sofra se, por acaso, bater aquele soninho justamente quando vocês estiverem na atração que programou só pra ela (em nossa última viagem, fomos a um zoológico decadente, totalmente fora da nossa rota, apenas para Marina conhecer o famoso urso panda. Ela não chegou a vê-lo, porque dormiu durante todo o passeio).

Comportamento

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Resolvi conversar um pouco sobre comportamento porque sei como esse assunto preocupa os pais. As crianças costumam nos surpreender, especialmente, quando mudamos sua a rotina e o ambiente. É, realmente assustador a capacidade desses pequenos de nos deixar de cabelo em pé e quando estão diante de estranhos, então. Aí é que a coisa desanda. Parece até que sabem o quanto aquilo nos constrange. Na verdade, eles não fazem de propósito. É óbvio que não. São apenas crianças. O fato é que a alteração de rotina muda também o humor de uma criança e a deixa mais agitada. E isso exige uma dose extra da nossa paciência.

Partindo dessa premissa, a primeira coisa a fazer é se preparar psicologicamente para um período onde serão enfrentadas situações mais tensas. Portanto, não idealize tanto o comportamento da criança na viagem. As piores situações de mal comportamento de minha filha enfrentei em viagens. E olhe que a minha pequena é uma típica mocinha “comportada”. Confesso que algumas vezes não a reconheci.

A outra questão diz respeito ao modo como as pessoas reagirão ao mal humor dos nossos filhos. Esse é um fator sobre o qual não temos qualquer controle e exatamente por isso, só há uma coisa a fazer: ignorar.

Isso mesmo, finja que não está vendo as pessoas torcendo o nariz, cochichando, com aquele olhar reprovador. Não se esqueça de que só você conhece seu filho tão bem para saber que ele não é exatamente aquela criança aborrecida que as pessoas estão vendo.

Também não se importe se as pessoas irão aprovar seu modo de agir nas situações de estresse. Se tiver que dar aquela bronca, faça sem receio. Também não se iniba de lhe dar o carinho que acolhe e acalma. Faça o que tem que ser feito, ao seu modo, onde estiver, sem se preocupar com o que os outros pensam. O filho é seu e ninguém melhor do que você para saber lidar com as situações de estresse.

É claro que estou me referindo a um reação equilibrada, onde a conversa, um castigo, uma bronca e até mesmo um abraço resolvem o problema. Nada de beliscões, palmadas ou gritos. Tudo isso só vai piorar o estresse da criança e dá reais motivos para as pessoas reprovarem seu comportamento. O equilíbrio sempre será a medida para as situações mais tensas.

Se após ler esse post, você achou muito difícil viajar com crianças, te digo o seguinte: as viagens se tornam sim, mais complexas e trabalhosas quando estamos com crianças, mas, indubitavelmente, elas também serão mais emocionantes e completas. Isso, se você conseguir deixar de lado as pequenas dificuldades e se abrir para a alegria de um momento único em família!

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